
Mirandela / Turismo
Mirandela, desde sempre e cada vez mais, centraliza e merece as maiores honras de tão ilustre cultura – a olivicultura.
As variedades que povoam os seus olivais, principalmente os deste território, são: Madural, Verdeal Transmona, Cobrançosa, Cordovil, Rendondal, Bicais e outras… É, sem dúvida, um pautado de recursos genéticos cuidadosamente preservado e acarinhado.
A partir da rotunda das Comunidades Europeias, em direcção ao Parque de Campismo da “Maravilha” e à aldeia de Chelas, onde a Quinta de Entre Rios oferece um magnífico espaço envolvente, de repouso e lazer, anote a presença de mais alguns exemplares plenos de história. Embora de forma dispersa, estas memórias vivas estão presentes em todo este trajecto até à entrada na EN 315, logo a seguir à ponte da Formigosa sobre o rio Tuela.
Em Abambres, a Igreja de S. Tomé é notável e merecedora de uma visita demorada. Esta obra do séc. XIII é um exemplar digno da arquitectura românica transmontana, de uma só nave e capela quadrangular. No exterior, o cuidado posto no tratamento dado ao granito nos alçados laterais e na cornija decorada com modilhões pelos mestres canteiros medievais alia-se com a elegante fachada principal terminada em alta empena truncada por sineira de dupla ventana. O seu interior, no séc. XVI, foi decorado com pinturas murais a fresco representando cenas da Paixão e, mais tarde, em plena época barroca, a talha policroma invade o altar-mor com sacrário e trono de grande aparato entre colunas salomónicas, prolongando-se até ao intradorso do arco triunfal revestido com caixotões de talha dourada.
Depois desta visita, continue na direcção de Vale Gouvinhas, pela EM 558, e um pouco antes de Vale de Martinho, pare e admire todo o horizonte olivícola – de Valongo das Meadas, Cabanelas, Vale Salgueiro até ao termo de Vale Telhas. É um oceano de oliveiras!
Retome a estrada para Vale de Gouvinhas, contornando a sua Igreja Matriz e o Edifício da Junta de Freguesia; depois de Valbom Petiz, e já novamente na EN 315, no denominado cruzamento da Bouça, siga pela EN 206 até à Ferradosa e, logo a baixo, entre no acesso – EM 534 – que dá para a aldeia da Fradizela. São aldeias simples, oleícolas do séc. XIX, tipicamente representativas da ruralidade da Terra Quente Transmontana.
Quando regressar à EN 315, à entrada da Bouça, justifica-se uma visita à “estátua menir”, símbolo fálico da fecundidade que indica a ocupação antiquíssima da região por povos pré-históricos, à Igreja Matriz e à Casa dos Viscondes da Bouça.
No regresso a Mirandela, não deixe de visitar em Vale de Telhas – um dos centros arqueológicos mais fecundos da região transmontana – a sua Igreja Matriz, a capela de S. Sebastião e o Pelourinho, ambos, provavelmente, do séc. XVI, a fonte e o miliário romano proveniente da via XVII que ligava Bracara Augusta a Asturica Augusta, e algumas casas ainda com vestígios romanos.