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Aqui, a oliveira jardineira é a mesma das encostas ladeirentas – arrogante como luta contra o vento, a chuva e o sol escaldante, sem protestar; serena e solidária, porque a frescura dos seus ramos continua a reconfortar prantos, esforços do dia a dia ou chamas do coração para acalmar; simples, nas muitas possibilidades de enquadramento e convivência com outras espécies; paciente, porque nem ao podador nega a sua sombra…
Acolhimento sítioMirandela / Território
Números chave
O olival transmontano ocupa cerca de 80.000 ha, envolve 37.000 olivicultores, com produções na ordem de oito milhões de litros de azeite.

O património olivícola mirandelense ultrapassa os 12.500 ha de plantações, cerca de 5000 ha têm menos de vinte anos.

No final da década de oitenta, afirmava-se que o olival mirandelense era «uma mancha de cerca de um milhão de árvores»; agora, com a dinâmica das novas plantações, é provável que esse número tenha duplicado.

 Há vinte anos atrás a variedade Verdeal Transmontana dominava os olivais (cerca de 40% do total de oliveiras), seguida da Cobrançosa (30%), Cordovil (13%), Madural (10%), actualmente, a Cobrançosa instituiu-se como a rainha soberana do olival mirandelense (> 60%, cerca de um milhão e duzentas mil árvores).


Programa Turístico - Fim de Semana Cultural

Mirandela - Terra de Olivais

A disposição orográfica deste território heterogéneo, bem no coração do Nordeste Transmontano, confere-lhe características climáticas próprias que vão do subatlante – mediterrâneo a mediterrâneo semi-árido, quando se sobe para as Serras de Bornes e dos Passos, ambas agrestes, cada uma à sua maneira, ou a caminho da Terra Fria Transmontana pelas margens dos rios Tuela e Rabaçal; quando se desce para o denominado «Buraco da Terra Quente», pequeno vale baixio, depressivo e de verões excessivamente quentes, e se ruma para o planalto granítico de Vila Flor e Carrazeda depois de uma travessia ao Tua, ainda selvático e de fraguedos escarpados neste percurso tão galgado e apertado.

De qualquer ponto, do círculo montanhoso ou mais acidentado que rodeia este território, desce-se sempre para a planura da cidade de Mirandela, onde naturalmente a rigidez das invernias se amacia.

Passa-se, ordeiramente, de norte para sul ou de este para oeste, de uma agricultura de pastagens pobres, lameiros de sequeiro, matas e incultos, soutos e castinçais dispersos, para áreas onde a Oliveira – a eloquência da agricultura mirandelense – merece os maiores e melhores cuidados. Mas o perfil suave dos montes erosivos, cortados por pequenas linhas de água, secas a maior parte do ano, os solos predominantemente xistosos e o clima mais amainado desta Terra Quente, permitem também outras culturas mediterrânicas – vinha, amendoeira, figueira, etc.

O concelho de Mirandela é formado por 37 freguesias, 102 aldeias, bem no coração de Trás-os-Montes e Alto Douro, encontra-se a meio caminho entre Vila Real e Bragança. Também se pode afirmar que é o centro da Terra Quente Transmontana, marcado por dois vales depressionários por onde correm os rios Tuela e Rabaçal que se juntam a Norte da cidade passando a formar o rio Tua que vai desaguar ao Douro.

Estes povoados mirandelenses oferecem um variado e rico património natural, paisagístico, cultural e artístico, fruto de séculos de história – como o provam os monumentos megalíticos, castros e numerosas ruínas de fortificações da Idade do Ferro erguidas ao longo dos vales ou o surgimento, na Idade Moderna, do senhorio da Casa dos Távoras e do Solar da família Pinto Cardoso.

A história de Mirandela fica marcada quando a 25 de Maio de 1250, através do foral dado por El-Rei D. Afonso III é criado o Concelho de Mirandela; poucos anos depois, por Carta de transferências passada por El-Rei D. Dinis, em 2 de Setembro de 1282, a vila é transferida do lugar denominado por “Castelo Velho” para o Cabeço de S. Miguel (local onde hoje está situado o seu Centro Histórico), adquirindo um posicionamento estratégico sobre a passagem do rio. Em 1884 o concelho de Mirandela passa a ter as delimitações geográficas actuais.


A DOP Azeite de Trás-Os-Montes

A DOP «Azeite de Trás-os-Montes» foi criada em Fevereiro de 1994. Foi o agrupamento Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro que requereu o reconhecimento da denominação de origem nos termos do nº 1 do anexo I do Desp. Norm. 293/93.

Só podem beneficiar do uso da denominação de origem «Azeite de Trás-os-Montes» os produtores que:

- sejam para o efeito expressamente autorizados pelo agrupamento Associação de Olivicultores de Trás-os-Montes e Alto Douro;

- se comprometam a respeitar todas as disposições constantes do caderno de especificações;

- se submetam ao controlo a realizar pelo organismo privado de controlo e certificação reconhecido nos termos do anexo IV do Desp. Norm. 293/93.
Os aspectos edafo-climáticos, as cultivares predominantes (Verdeal Transmontana, Madural, Cobrançosa, Cordovil e outras) e as características químicas e sensoriais permitiram delimitar a área geográfica de produção de Denominação de Origem Azeite de Trás-os-Montes.
A área geográfica de produção (localização dos olivais, extracção do azeite e seu acondicionamento) está circunscrita aos concelhos de Mirandela, Vila Flor, Alfândega da Fé, Macedo de Cavaleiros, Vila Nova de Foz Côa, Carrazeda de Ansiães e algumas freguesias dos concelhos de Valpaços, Murça, Torre de Moncorvo, Mogadouro, Vimioso e Bragança.

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Em Trás-os-Montes, a mancha olivícola corresponde à região da Terra Quente. Nesta região, a unidade pedológica mais representativa é o Ieox (Leptossolo êutrico órtico). Os solos são constituídos por xistos e rochas afins. É um solo franco, franco-limoso ou franco-arenoso, frequentemente cascalhento; com material grosseiro da desagregação da rocha e alguma terra, e/ou rocha contínua e coerente a partir de 10-50 cm. Com grande representação em áreas de relevo muito diversificado, desde muito suavemente ondulado a acidentado e com declives muito variados (Agroconsultores e Coba, 1991).
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