Descrição :
Bouça, ou balsa, balteum em latim, é uma palavra portuguesa que significa terra inculta, em que a vegetação selvagem/ silvestre é utilizada para alimentar os animais. É por este motivo que quem visita Portugal encontra com frequência esta palavra.
No final do século XVIII, deram-se terras como benefício a um agricultor, padre em Nozelos, sendo que algumas pertenciam à Bouça dos Nunes.
Depois de as tornar férteis, legou vastas terras, que se estendiam de Rebordelo (10 km a norte) até Mirandela (20 km a sul), aos seus descendentes.
Para gerir estes terrenos, mandou construir uma casa que corresponde hoje à parte baixa, com o pátio interior, os anexos e o lagar de azeite e de vinho. A partir daqui foi possível explorar estas terras onde tinham sido plantados cereais, vinha e oliveiras, fazer vinho e azeite graças ao lagar, e alimentar os animais com feno.
Os descendentes aumentaram a casa no século XIX, acrescentaram as duas partes que formam um ângulo, depois a capela em 1870 e, por fim, a parte central mais elevada (torre). Foi construída dentro do estilo das habitações (tradicionais) do nordeste de Portugal, em granito, com as proporções bem equilibradas: uma parte nobre para habitação e uma parte baixa reservada ao armazenamento dos produtos da terra.
Em 1877, Sebastião, proprietário da herdade na época, encontra-se com o rei Luís I, em Vidago, que lhe dá o título de visconde das suas terras. Como Sebastião tinha apenas uma filha, foi o seu genro, originário do Minho, que herdou o seu título e as suas terras.
Em 1952, o terceiro visconde, irmão de Sebastião, também sem filhos, constituiu uma sociedade agrícola a fim de transmitir os seus bens aos sobrinhos e outros parentes.
Nos anos seguintes, a herdade foi partilhada pelos herdeiros ainda vivos. Apesar de tudo, a casa permaneceu, com os seus anexos, as suas pastagens para os bovinos, os seus cereais e as suas oliveiras, as suas florestas e hortas, e também o feno.
Funcionava assim, em policultura, até à sua aquisição por Yolande e Albert Baussan. A partir daqui, uma outra história começa...
Como Yolande e Albert Baussan se tornaram olivicultores e produtores de azeite em Portugal?
Meridionais de gema, sempre se sentiram atraídos pelas culturas mediterrânicas e hesitaram durante muito tempo entre a vinha e a oliveira.
Geralmente, depois de muitos anos a trabalhar em grande distribuição, compra-se sobretudo vinha, mas eles escolheram a olivicultura.
Graças a Rosaria Pinho, uma amiga portuguesa, decidiram procurar uma propriedade em Portugal que, no seu entender, soube guardar toda a sua autenticidade e o seu mistério. Privilegiaram a região de Trás-os-Montes, no Nordeste, onde os métodos de cultura e as variedades de oliveiras correspondem à qualidade dos azeites que gostariam de desenvolver.
Encarregaram, então, Rosaria de procurar um olival e, no final do ano 2000, os “Os Baussan”, como lhes chamavam os amigos, tornaram-se proprietários da Casa Grande do Visconde da Bouça, na aldeia com o mesmo nome.
Tiveram um verdadeiro choque quando descobriram, no final de um caminho de terra, este belo conjunto que decidiram restaurar e preservar o seu carácter e a sua alma.
Em primeiro lugar, trataram de reestruturar o pomar existente antes de plantar árvores jovens de diferentes variedades, capazes de se adaptarem às condições climatéricas e ambiente da região.
De seguida dedicaram-se ao restauro da casa, preservando o espírito do lugar e a sua história, recorrendo a um empresário especialista neste domínio.
Foi ele que os fez descobrir uma coisa excepcional, escondido pela vegetação, um velho lagar de azeite, praticamente arruinado, que eles decidiram também restaurar. Actualmente, este edifício que se pode visitar, é reconhecido como um dos lagares de azeite mais antigos da região.
Rapidamente se fez notar a necessidade de construir um novo lagar, destinado à produção do seu azeite. Para tal, recorreram a especialistas interessados que o equiparam com material antigo (3 mós cónicas em granito) combinado com uma estrutura ultra moderna.
A sociedade Agrícola A Capela dos Olivais nasceu e deve o seu nome à capela do estilo barroco que se tornou, após o seu restauro, o emblema da propriedade.
Este lugar único não se teria tornado no mesmo sem a colaboração, o apoio e a ajuda de certos intervenientes. Yolande e Albert Baussan têm que agradecer particularmente a Rosaria Pinho, actual administradora da herdade, assim como aos senhores Jorge Andrade e Francisco Manuel Abreu Lima.
Actualmente, a herdade produz cerca de 30 000 litros de azeite com aroma de limão. Estes frutos, rigorosamente seleccionados e não tratados, são triturados ao mesmo tempo pelas mós em granito, sem aquecimento.
A grande conquista da herdade A Capela dos Olivais é a especialidade de azeite com aroma a limão verde, um produto de qualidade e excepção.
A Casa Grande do Visconde da Bouça tem uma extensão entre os 90 e 100 ha de olival (jovem e centenário), um lagar de azeite (mixagem tradicional e material ultra-sofisticado), uma produção própria unicamente dedicada à exportação (França, Brazil, Japão, Estados Unidos, Bélgica, Suécia e U.K.).
O produto é de alta qualidade, sendo a época da colheita na segunda quinzena de Outubro.
O lagar possui linha de engarrafamento, bem como armazenamento com temperaturas controladas, sempre com o objectivo de o azeite ser acondicionado nas condições ideais.
O Azeite é, como já foi referido, engarrafado na Casa Grande do Visconde da Bouça, mas a sua comercialização destina-se a lojas de luxo, espalhadas pelo mundo inteiro, especializadas em comercialização de azeite e especialidades à base de azeite.
A marca utilizada é a “A Capela dos Olivais”.
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